Carimbo Participativo
Documento explicativo · síntese não oficial Set/2026 · v1.0
Brasil Participativo · Modelo de uso e execução nos municípios

A pergunta não é "audiência ou consulta".
É em que ordem.

O Brasil Participativo roda sobre o Decidim, software livre que não tem um "módulo audiência" nem um "módulo consulta" — tem espaços e componentes que qualquer município pode sequenciar. Este resumo mostra como isso se transforma em rotina para cidades de porte médio (20–100 mil habitantes), qual caminho jurídico foi escolhido para viabilizar a adesão, e o que precisa ser feito agora para que a capacitação esteja pronta antes do relógio dos 180 dias começar a correr.

  • 01 · Compromisso público de resposta
  • 02 · Ciclo previsível
  • 03 · Simplicidade na largada
Os dois pilares

Audiência e consulta não competem. Se encaixam.

Cada pilar institucional brasileiro tem um tradutor direto dentro da plataforma. Escolher um município não escolhe entre eles — escolhe a combinação e a ordem.

PILAR 1 — ORAL · SÍNCRONA · CONVOCADA

Audiência pública

  • Convocação e pauta com antecedência mínima
  • Local, horário e formato híbrido/remoto
  • Inscrições com limite de vagas
  • Ata e relatório final anexados
torna-se o componente Encontros
sequenciam-se
PILAR 2 — ESCRITA · ASSÍNCRONA · COM PRAZO

Consulta pública

  • Minuta ou documento disponibilizado
  • Prazo estrutural de contribuição
  • Comentários e emendas por trecho
  • Texto consolidado + devolutiva
torna-se um Processo com Textos participativos
Encontros presenciais Questionário Propostas Votação Encontro de avaliação Prestação de contas
Falso amigo: o espaço "Consultas" dentro do Decidim é um mecanismo de votação/referendo com urna eletrônica — não é a consulta pública brasileira. O equivalente funcional é um Processo com componentes escritos (Textos participativos, Comentários, Emendas).
O micro-ciclo

Cinco fases. Nenhum processo termina na terceira.

Toda receita de processo do modelo é uma variação destas cinco fases — desenhadas para que a participação produza consequência, que é onde a maioria das iniciativas falha.

  1. 01

    Convocar

    Publicidade prévia com pauta, cronograma e plano de mobilização — 7 a 15 dias antes (8 dias úteis é o piso legal de referência).

  2. 02

    Habilitar

    Nivela informação: diagnóstico, dados orçamentários, vídeo explicativo, perguntas orientadoras — 7 a 20 dias, em paralelo à abertura.

  3. 03

    Deliberar

    Colhe contribuições por múltiplos canais, com moderação ativa e consolidação do que veio offline — 15 a 45 dias.

  4. 04

    Responder

    Matriz de resposta: aceita, parcial ou não aceita, sempre com justificativa — até 30 dias úteis após o encerramento.

  5. 05

    Prestar contas

    Mostra o que mudou por causa da participação — de 3 a 12 meses, conforme o objeto, alinhado à execução.

Regra de ouro: um processo que não chega às fases Responder e Prestar contas é, para o cidadão, indistinguível de nenhum processo.
O macro-ciclo

O ano participativo, amarrado ao orçamento

O único ponto em que a participação incide sobre decisão vinculante de recursos é o orçamento. Por isso o calendário anual segue o PPA, a LDO e a LOA — não o inverso.

JanFevMarAbrMaiJun JulAgoSetOutNovDez
Etapa 1

Diagnóstico e escuta

Consulta ampla de prioridades + avaliação de serviços

Etapas 2–3

PPA + LDO

Audiência pública + consulta de minuta

Etapa 4

LOA — orçamento participativo

Votação de prioridades de investimento

Etapa 5

Prestação de contas

Balanço participativo → ajustes para o ano seguinte

Referência de calendário — cada município ajusta às datas da própria Lei Orgânica (art. 165 da CF/88 e LRF).

Forma de execução

Seis caminhos jurídico-financeiros foram mapeados. Um foi escolhido.

Bem público federal puro, consórcio público, cooperação internacional, cofinanciamento multinível, núcleo aberto — e o Termo de Adesão. Na matriz comparativa, ponderando alinhamento de custeio, velocidade de adesão, força do compromisso e escalabilidade, uma opção venceu com 4,4 de 5, a maior pontuação entre as seis.

Opção 2 Termo de Adesão intergovernamental — modelo escolhido —

Modelo Rede GOV.BR / Transferegov: a SG-PR institui por ato normativo um Termo de Adesão padronizado. A instância roda sobre a infraestrutura de bem público federal (Opção 1, Dataprev, multi-tenant), com cofinanciamento estadual de mobilização (Opção 5) como camada opcional e o núcleo aberto do Decidim (Opção 6) como ativo de resiliência contra dependência de fornecedor único.

  1. Alinhamento custo-governança — quem paga (União) é quem governa o padrão técnico, sem o descasamento típico de consórcios.
  2. Precedente consolidado — replica um arranjo já testado (Rede GOV.BR / Transferegov), com baixo atrito jurídico.
  3. Compromisso verificável — adesão vira obrigação auditável, não apenas boa intenção.
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Força do compromisso (escala 1–5): bem público federal puro sem instrumento formal pontua 1; com o Termo de Adesão e suas obrigações verificáveis, pontua 4. É essa diferença que decide.

A União entrega

  • Espaço municipal na plataforma, sem custo
  • Hospedagem, segurança e sustentação (Dataprev)
  • Suporte técnico e atualizações
  • Capacitação nos três níveis
  • Identidade visual e integração gov.br / LAI

O município assume

  • Ponto focal designado por ato formal
  • Comitê gestor local instituído
  • Calendário participativo anual publicado
  • Resposta fundamentada a 100% das contribuições
  • Relatório anual de prestação de contas
InstrumentoPortaria/resolução da SG-PR + termo assinado por município
Vigência24 meses, renovável automaticamente
Suspensão12 meses sem processo ativo · 2 ciclos sem resposta · uso eleitoral indevido
Guia de implantação

Como isso chega ao município: 180 dias

Três blocos de 60 dias, do primeiro contato ao primeiro relatório de prestação de contas — calibrado para um município com serviço público digital incipiente.

Dias 1–60

Adesão e preparação

  • Sem. 1–2 — reunião institucional e diagnóstico de maturidade
  • ★ Sem. 3–4 — assinatura do Termo de Adesão + decreto + ponto focal designado
  • Sem. 5–6 — comitê gestor, equipe de apoio e regimento de uso
  • Sem. 7–8 — habilitação da instância na Dataprev + identidade visual + gov.br
Marco: instância ativa e governança formalizada
Dias 61–120

Capacitação e 1º processo

  • Sem. 9–10 — Capacitação Nível 1 (operação da plataforma)
  • Sem. 11–12 — desenho do 1º processo (Receita B ou C)
  • Sem. 13–16 — execução do ciclo completo: convocar → deliberar → responder
  • Sem. 17 — publicação do relatório de prestação de contas
Marco: 1º ciclo concluído com devolutiva pública
Dias 121–180

Consolidação e escala

  • Sem. 18–19 — Capacitação Nível 2 (curadoria e análise)
  • Sem. 20–22 — calendário participativo anual ancorado no orçamento
  • Sem. 23–24 — 2º e 3º processos encadeados + rede de facilitadores
  • Sem. 25–26 — avaliação de indicadores e comunicação de resultados
Marco: município autônomo, calendário publicado
Próximos passos

Estruturar a capacitação antes que o relógio comece a correr

O roteiro de 180 dias já reserva as semanas 9–10 para a Capacitação Nível 1 e as semanas 18–19 para o Nível 2. O problema é anterior: nada disso existe ainda para o município usar. A Fase de Constituição do programa (mês 0–3, antes de qualquer piloto) é onde isso precisa ser resolvido.

Nível 1

Operação — 8 a 12h

Trilha autoinstrucional: navegação, abertura de processos, componentes, moderação, relatórios.

Nível 2

Curadoria e análise — 12 a 16h

Oficinas síncronas: triagem de propostas, matriz de resposta e viabilidade, indicadores.

Nível 3

Desenho e governança — 8h

Para comitê gestor e patrocinador: encadeamento de fases, regras de votação, institucionalização.

A rede de 50 cidades só tem valor se a formação escalar junto. Isso significa decidir, formalizar e produzir os cinco itens abaixo — antes de aceitar o primeiro município-piloto, não durante.

  1. Definir quem forma os formadores

    SG-PR decide se certifica diretamente ou via parceiro de formação — essa escolha trava tudo o que vem depois.

    Antes da Fase de Constituição (mês 0–3)
  2. Produzir a trilha autoinstrucional do Nível 1

    Vídeos curtos e guias testados com usuários reais — precisa estar pronta antes de qualquer município chegar à semana 9 do seu próprio roteiro.

    Antes do 1º município-piloto
  3. Desenhar as oficinas síncronas dos Níveis 2 e 3

    Um desenho único servindo aos 5 municípios-piloto simultaneamente é mais eficiente que cinco desenhos avulsos — e evita o retrabalho quando a semana 18 chegar.

    Antes da semana 18 de cada município
  4. Estruturar a rede de municípios desde já

    Comunidade de prática trimestral, banco de receitas reutilizáveis, mentoria entre pares e painel nacional de indicadores — para que o primeiro município a concluir seu ciclo (~semana 17) já tenha com quem trocar.

    Ativa a partir do 1º ciclo concluído
  5. Amarrar a capacitação ao Termo de Adesão

    Tornar a conclusão do Nível 1 pré-requisito formal para abrir o primeiro processo — é o que sustenta a meta de ao menos 4 pessoas capacitadas por município no primeiro ano.

    Cláusula do Termo, não recomendação
Sem capacitação pronta antes do dia 1, os 180 dias de cada município começam atrasados — e o atraso não se recupera depois: ele se acumula a cada nova cidade que entra na rede.
O único indicador que prova que "deu em algo": decisões com efeito orçamentário ou normativo — meta de pelo menos 1 por ano por município. Alcance, qualidade de deliberação e disponibilidade da plataforma sustentam esse resultado; não o substituem.
Sequência de escala: 5 pilotos → 20 cidades → 50 cidades
Síntese baseada em Documento 1 — Modelo de Uso e Documento 2 — Modelo de Negócio, Brasil Participativo nos Municípios, setembro de 2026. Página explicativa de uso interno — não é publicação oficial da Secretaria-Geral da Presidência.